sábado, 21 de janeiro de 2012

Como Planejar com um Martelo



Degas - Não sei porque não faço poesias, tenho ideias tão belas.
Mallarmé - É que não se fazem poesias com ideias, fazem-se com palavras.

De um lado crenças, intuições, paixões; do outro evidências, lógica, razão. Os excessos destas coisas nos danam, e danados perdemos a razão e também a fé. Copérnico deve ter sofrido, penso que teve equilíbrio entre paixão e razão, mas deve ter sido uma vida difícil. Arrodeado de fanáticos em uma época difícil. Hoje o fanatismo está disfarçado,  comportado, de paletó e gravata, tailleur, toga ou bata. Cruzes e brasões ficaram um pouco de lado com a ascensão de três novos deuses: o direito, o mercado e a ciência. Pra ganhar o pão de cada dia, temos que nos ajoelhar e rezar pra estes três dementes horas a fio. E depois, danados até a medula, buscar um torpor que nos leve daqui. Puta que o pariu!


Meu filho, se você quiser adorar alguma coisa, coma esta coisa um pouco que seja. Não é só ler superficialmente ou assistir a um prostituto (sim, prostituto!) num cursinho de coffe-breaks não. Comer é pegar, tocar, sentir o cheiro, envolver-se, trocar fluidos, deixar correr nas veias. Quer defender a lei doutor? coma o tribunal, as partes, o lero jurídico na vida das pessoas. Quer defender a racionalidade do cacete a quatro, seu merda? Enfurne-se em um laboratório arrodeado de egos.phd e referências.sci e tente arrancar alguma verdade da natureza. O mercado, seu burguês de merda, vá no banco, na agência, nos donos do capital e tente sair de lá com um cuspe que seja sem usar seus contatos e sem dar toco com o dinheiro que herdou de papai. Meu filho, acorde!


Aí vem Dona Maria e diz que #$%*&¨%$#... planejamento de país. Ótimo, planejar é nosso negócio. A senhora gosta de planejamento mais, assim..., pro lado do mercado, ou pro lado da ciência? Bom, ofereci estes dois porque estou vendo que o planejamento legal já lhe foi servido, não é mesmo? Então vou lhe dar algumas opções: se a senhora gostar de um prato com sabores marcantes mas que não dá pra comer, porque não dá pra pegar, nem tocar, nem nada, sugiro um Plano de Desenvolvimento Nacional de longo prazo. Este prato é servido apenas em Estados, e não em Governos, porque no fundo, no fundo, trata-se de uma receita autoritária e muito apreciada em clima de golpe ou fortes ressentimentos.

#$¨%(*(*%$%(). Ñ.

 Tudo bem, temos também um plano lógico, que é perfeitamente racional e fica lindo no prato, mas não sai de lá. Este prato serve-se em caixinhas e setinhas; o conhecimento, ou melhor, a pretensão do mundo todo fica dentro das caixinhas, e as setinhas são bem firmes, pode pôr a culpa nelas se precisar. Este prato agrada muito aqueles que se acham merecedores de alguma coisa, tem um buquê de meritocracia que é especialidade da casa.

!@$#@%$$$)(&*&¨¨ Ñ.

Ah, já entendi D. Maria, a senhora gosta mesmo é de pés. Pés é fantástico! Não importa se você é vermelhinha ou azulzinha, porque pés é moderno, é poético, é situacional, e aí você pode ficar de pés por vários mandatos. Assim, bom mesmo é se você fizer um pés com os pés no chão: a senhora conhece a real governabilidade das coisas? e a real capacidade?

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hummm... então vou lhe oferecer um bom pés com molhinho lógico. Porque se der merda a senhora usa as setinhas também, não é mesmo?

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A senhora tem um gosto tão diferente do Sr. Têcêú, este sim entende nossa gastronomia. Ah, Sr. Têcêú deixa as garçonetes daqui loucas, subindo pelas paredes com aquele perfume de acórdão, e sempre deixa um superávit de gorjeta. ... Falar nisso, será que rola um dezporcento no subsídio da carreira?

(...)

Que cara é essa D. Maria?

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Estamos cozinhando para servi-la, volte sempre!

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