segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pra não dizer que não falei das flores


Houve um tempo em que a esquerda, afastada do poder, bradava palavras de ordem, criticava o "sistema", o "modus operandi" da política brasileira e mundial. A palavra da vez era ideologia.
Pecava, dizia-se, por teorizar demais, por estar afastada da prática política e social...

Tudo mudou.

O "sistema" deu guarida e aconchego aos barbudos e às senhoras de luta. A palavra de ordem passou a ser respeito. Respeito às classes esquecidas? Talvez. Mas respeito principalmente às instituições "democráticas", ao jeito brasileiro de se fazer política.

Fala-se da política como um ser dotado de personalidade própria. Uma velha senhora cheia de ideias formadas sobre tudo e sem a menor disposição para a mudança. Os transeuntes que lá estão não podem fazer nada que deixe a idosa de mau-humor... Respeita-se.

Num país com história política democrática tão recente é risível (ou seria deprimente) assistir aos já tão arraigados argumentos de que "política é assim mesmo"...

Falei em respeito, mas a palavra da vez bem podia ser pragmatismo.

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